Parque Natural do Vale do Guadiana

O Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG) foi criado em 1995 com o objetivo de conservar o património natural e de promover a sustentabilidade das atividades socioeconómicas tradicionais. Situa-se no vale médio do Rio Guadiana e ocupa 69.665,94 ha, em território pertencente aos concelhos de Mértola e Serpa. Tem início a montante do Pulo do Lobo e estende-se até à foz da Ribeira do Vascão.

O Vale do Guadiana caracteriza-se por uma paisagem de planícies onduladas, recortadas por elevações quartzíticas (como as serras de S. Barão ou de Alcaria) e por vales de encostas acentuadas, do Rio Guadiana e das ribeiras torrenciais afluentes. Apresenta um clima mediterrânico, com verões quentes e secos, invernos moderados e uma precipitação média anual inferior a 550 mm. É uma área com predominância de solos delgados, vulnerável às alterações climáticas e à desertificação, verificando-se uma tendência de progressão para um clima semiárido.

Esta área protegida sobrepõe outras classificações prioritárias (PTCON0036, PTZPE0047, PTZPE0046 e Sítio RAMSAR Ribeira do Vascão) que valorizam os sistemas ecológicos compostos por espécies de fauna e flora característicos e adaptados às condições agrestes do território. Na fauna encontra-se uma grande diversidade de espécies, nomeadamente endemismos ibéricos nos peixes e invertebrados, mas também uma presença importante de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, com o Lince-ibérico (Lynx pardinus) como espécie mais emblemática deste território. Na flora, os relevos característicos do PNVG potenciam a diversidade de habitats e espécies que é possível encontrar, sendo que neste território abundam e se refugiam uma grande quantidade de endemismos ibéricos, muitos deles com estatuto de ameaçado ou protegido.

Nas planícies destaca-se o ecossistema do Montado, um dos principais sistemas produtivos no território e que ocupa mais de um quarto da área do PNVG. A Azinheira (Quercus rotundifolia) é a árvore com maior prevalência nestes montados e o principal coberto arbóreo nativo desta paisagem, aparecendo também com menor expressão o Sobreiro (Quercus suber).

É neste ecossistema que se centram as principais explorações económicas do território, dedicadas à pecuária extensiva e à cinegética. A importância ecológica, cultural e socioeconómica do montado é indispensável para as populações deste território e é imperativo reforçar a resiliência e o estado de conservação deste ecossistema para garantir a sua sustentabilidade futura.

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