Zona Especial de Conservação de Monfurado

A Zona Especial de Conservação (ZEC) de Monfurado (PTCON0031), com 23 922 ha, enquadra-se nos concelhos de Évora e Montemor-o-Novo e é caracterizada por manchas mistas de sobro, azinho e carvalho negral. Tem como valores a conservação e manutenção das condições ecológicas dos habitats e espécies que aí ocorrem, tal como o restabelecimento dos mesmos, a uma condição mais favorável, por exemplo a recuperação do estrato herbáceo e arbustivo de forma a promover habitats para espécies chave com potencial de ocorrência, como o Lince-Ibérico (Lynx pardinus).

A ZEC Monfurado tem uma morfologia variada, com a altitude a variar entre 150 e 420 metros. Localizada numa zona de clima mediterrânico, a pluviosidade em Monfurado é, em média, mais elevada que nos territórios envolventes, com uma pluviosidade de até 900 mm, superior a Évora ou Montemor-o-Novo que apresentam médias anuais de cerca de 600 mm.

Dos cerca de 21 habitats diferentes que compõem Monfurado, destacam-se o Montado, como o de maior relevância, e três habitats considerados como prioritários: 6220*- Subestepes de gramíneas e anuais (Thero-Brachypodietea), 91E0*- Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-padion, Alnion incanae, Salicion albae), 3170*- Charcos temporários mediterrânicos. Estes diferentes habitats criam um mosaico paisagístico, que contrasta áreas florestais com zonas agrícolas, o que leva a que ZEC de Monfurado apresente uma elevada diversidade de plantas, com a presença de espécies protegidas como o jacinto-dos-charcos (Hyacinthoides vincentina) e o salgueiro-branco (Salix salviifolia ssp. australis).

A ZEC de Monfurado apresenta, ainda, uma elevada relevância faunística, especialmente no que toca a mamíferos, fornecendo abrigo para hibernação e mesmo reprodução de diferentes espécies como: o morcego-rato-grande (Myotis myotis), o morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi) e o morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii).

Historicamente a ZEC de Monfurado tem sido habitada desde tempos pré-históricos. Isto é evidente pelos diferentes vestígios arqueológicos que podem ser encontrados na área, o mais famoso destes vestígios é a Gruta do Escoural, onde se podem ver pinturas rupestres datadas até 25000 a.C. Atualmente a produção de cortiça, juntamente com o maneio de gado, são as principais fontes de rendimento da região. Apresentando-se o turismo como uma fonte potencial de reforço das oportunidades de emprego para a população local.

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